Cidadão ou Pessoa Humana de Verdade

            Prof. Pós-Dr. Cândido Furtado Maia Neto

                                                            Procurador de Justiça MP-PR

Nas indagações de Humberto de Campos (membro da Academia Brasileira de Letras), fez espiritualmente no seu encontro com Sócrates, que consta na obra psicografada por Francisco Cândido Xavier (“Crônicas de Além-Túmulo”, Ed. FEB, RJ, 2008), destaco a seguinte mensagem.

Os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos. Ainda são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si. Marcham uns contra os outros, estão sobre a proteção de estandartes (da pátria, de títulos, credenciais de autoridade, ou de nacionalidade) que os desunem, aniquilando-lhes o mais nobre sentimento de humanidade”

Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas (Justiça, Paz, união e fraternidade). Quase todos estão com pensamento cristalizado no ataúde das escolas (nos títulos acadêmicos e honoríficos, concedidos muitas vezes entre amigos, por grupos e partidos, não pela qualificação pessoal ou profissional).

Para todos os espíritos, o progresso reside na experiência (do bem e da caridade, na ajuda ao próximo independentemente do status acadêmico ou sócio-econômico).

Os homens da pátria, as autoridades, digamos, são muito mais responsáveis, quando nada fazem por aqueles que necessitam, pois quando possuem poder e mando político, e apenas prometem enganando o próximo, esquecem o mais importante, que também, como todos os seres humanos, não são eternos.

Quase todos os estudiosos da Terra são assim; o mal de todos é o enfatuado conhecimento de sabedoria (mas que sabedoria é esta, quando falta honestidade e moral)

Nosso projeto de difundir a felicidade na Terra só terá realização quando os Espíritos ai encarnados deixarem de ser (simplesmente) cidadãos, para serem (principalmente) homens conscientes de si mesmos.

O Estado e as Leis são invenções puramente humanas.

Erra menos, o ser que se aproxima mais dos critérios de Justiça, do que do direito ou da letra fria da lei, porque esta é feita pelos próprios homens por seus interesses diversos.

E o reconhecimento do erro, engrandece à todos, pois “no exercício da jurisdição, … não se está imune a erros. Deve-se ter a coragem de assumi-los e corrigi-los”  (in Humanização da Aplicação do Direito para Dar-lhe o seu verdadeiro Sentido”, José Gomes da Silva, Direitos Fundamentais Sociais, Ed. UFGD, MS, 2009).

Quem condena a morte ou a penas graves e hediondas, está igualmente condenado pela natureza, até quando a criatura humana não se descobrir a si mesma, os seus destinos e obras são patrimônios da dor e da morte (simplesmente, esta é uma verdade concreta, absoluta e incontestável).

O mundo atual é semente do mundo paradisíaco do futuro (quem planta o bem colhe amor). As criaturas humanas ainda não estão preparadas para o amor e para a liberdade…Durante muitos anos, ainda, todos os discípulos da Verdade terão de morrer muitas vezes !..”.

Os Próceres do bem são acima de tudo Promotores e Procuradores da Justiça, que constroem uma sociedade justa e solidária, fraternal e consoladora, reconhecedora, reconciliadora, reconstrutiva e reparadora.

A ideia de Justiça está no íntimo da alma, do espírito, da mente, na atitude de vida com sentido ético, moral, religioso e jurídico. O sentimento humano é único e ao mesmo tempo coletivo segundo o livre convencimento em busca da Justiça, da verdade, da solidariedade, compaixão, perdão, clemência, indulgência, fraternidade e irmandade.

Justiça por excelência tem por base as exigências do bem, dos desejos coletivos e a tutela dos interesses individuais indisponíveis dos Direitos e Deveres Humanos.

É no amor que se baseia a Justiça. O amor é o maior dos mandamentos: “Amar a Deus e a teu próximo como a si mesmo”, donde residem os princípios reitores de Direitos Humanos. É o amor que engloba a Justiça, e não ao contrário (Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo, in “Uma nova ética para o juiz”, obra coletiva, Coordenador Nalini, José Renato, RT, SP, 1994)