O Profeta e a Justiça Penal

Lições “zahir” de Gibran Khalil Gebran (*)

                                                                                     Por Cândido Furtado Maia Neto (**)

O homem comete um crime quando seu espírito vaga pelo vento, encontra-se desguardado, pratica um mal com outros e contra si mesmo.

Muitos ainda não são homens, aqueles que cometem crimes e aqueles que não foram responsáveis para evitar. Alguém sempre cai no meio daqueles que não ajudam e não se interessam pelos seus semelhantes. Assim, o ereto e o caído é o mesmo homem. 

Não se separam os justos dos injustos e os bons dos maus. Pois estão juntos frente ao Sol (à luz Divina), como o fio preto não se separa do branco, e quando um se parte, o tecelão deve examinar o tear para consertar.

O ofensor deve olhar para o espírito do ofendido e vice-versa. As raízes do bom e do mau são como as das árvores, estão sempre entrelaçadas. 

Como julgar: o honesto na carne, mas ladrão em espírito ?

Como julgar: o que mata em carne mas é morte em espírito ?

Como punir aquele cujo remorso é maior que seus crimes ?

Como pode entender a Justiça, aquele que não vê a Luz na sua totalidade ?

As verdadeiras Leis, não são como castelos de areia, que se constrói rapidamente e o mar logo destrói, fazendo algumas crianças rirem e outras chorarem.         

Os que dão as costas para o Sol, vêem apenas suas sombras, e suas sombras são suas Leis, sua moral e sua ética.

E a liberdade, ela não se perde com amarras, grilhões ou algemas, e sim com o peso da consciência.

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(*) Livro “O Profeta”, de autoria de Gibran Khalil Gebran, nascido em 06.12.1883, em Bisharri, norte do Líbano, + em 10.4.1931.

“Zahir” é termo árabe que significa presente ou incapaz de passar despercebido.

(**) Neto de Naby Mansur Gebran Paraná (naturalizado brasileiro), ex-Chefe de Polícia e Delegado do Estado do Paraná, primo-irmão de Gibran Khalil Gebran.